O primeiro impulso após ter um sonho de empreender é acreditar, e muito
além de acreditar é colocar a mão na massa. Trabalhar e trabalhar...
Quem acredita que sendo empreendedor vai trabalhar menos, que como
colaborador de uma empresa, está profundamente enganado. Se o que te
move a empreender, é o pensamento de trabalhar menos, muito
provavelmente terá uma grande decepção.
Recentemente assisti a um vídeo do grande Silvio Santos, um dos maiores comunicadores e empreendedores que conheço. No vídeo ele fala de forma bem informal para seus colaboradores, deixa bem claro, entre outras dicas, a que considero mais simples e mais profunda que é:
"Só não segue o objetivo, quem acredita que as coisas são fáceis.
Todas as coisas são difíceis, todas as coisas tem que ser lutadas.
Quando você consegue uma coisa fácil, desconfie, porque ela não é tão
fácil quanto parece. Continue trabalhando, continue apostando na sua
intuição, continue com os pés no chão. Não se importe com que sua esposa
fala, com que seus filhos falam, com que seus amigos falem. Se importe
com que você vive no dia-a-dia. Pelo menos foi assim que eu conseguir ir
de camelô a banqueiro"
Silvio Santos
O ser empreendedor é um ser de comportamentos específicos,
confunde-se comumente gerir um negócio com empreender, e nada tem em
comum. O administrador é um profissional moldado em esforço no estudo de
técnicas administrativas, comprovadas após utilizadas em organizações.
O empreendedor é motivado pelo comportamento e atitude, é alguém que
gosta do imprevisto, do risco, da instabilidade de empreender. Certa vez
ouvi um amigo dizer que empreender é solitário, e é mesmo, pois as
decisões são solitárias. Empreender é absorver as dificuldades, a
instabilidade de um ambiente e transformá-lo virtualmente em um ambiente
seguro e confortável para quem não consegue lidar com essas variáveis.
Todo os administrador pode ser um empreendedor, mas o empreendedor
nem sempre é um bom administrador. Muitos empreendedores quebram por não
aceitarem que não são bons gestores e não terem humildade para
reconhecer tal fato, procurando aperfeiçoamento ou ajuda de um
profissional, de um administrador.
Uma pesquisa do Sebrae2 demostrou que das empresas que se tornaram
inativas, 68% tiveram como motivo declarado a dificuldade com
habilidades gerenciais.
Estas pesquisas comprovam que fazer um negócio acontecer, é uma
coisa e mantê-los saudáveis, depende muito de capacidade gerencial.
Neste ponto que reforço a importância do profissional de gestão,
capacitado para tal.
O empreendedor pode até gostar de gerir, mas geralmente gosta mais de
empreender e são coisas quase que antagônicas, em devidos momentos,
atitudes empreendedoras, se olhadas pelo prisma da teoria
administrativa, não passaria de total loucura. Posso falar isso, pois,
estudei sete anos de administração de empresas e se me dissessem, ainda
nos bancos acadêmicos, que tomaria decisões baseadas em intuição, eu
consideraria essa pessoa um herege corporativo.
O empreendedor muitas vezes se vale de intuição e bom senso, para
assumir o risco, fatores totalmente subjetivos o movem. O que é bom
senso para mim, pode não ser para o outro. O empreendedor oferece
soluções antes de serviços, vende pelo resultado e nunca pelas
características de seu produto/ serviço. Ser empreendedor é uma cultura.
A maioria dos empreendedores cruzaram em seu caminho pelo fracasso,
mas se temos 68% de empresas que quebram antes dos quatro primeiro anos,
por que não somos comumente defrontados com história de fracasso?
Pesquisando no Google por Histórias de Sucesso ceguei a 7.690.000
resultados contra 1.290.000 de histórias de fracassos. Sabe por que isso
acontece?
Espera aí! se somente 32% das empresas sobrevivem nos primeiro quatro
anos, por que tão poucas histórias de fracasso? não deveria ser ao
contrário?
Essa discrepância estatística se deve ao fato de que o empreendedor
conta seus insucessos pela vitória, ou seja, o fracasso foi só uma etapa
para conquista da vitória. O empreendedor é resistente ao fracasso e
faz dele trampolim para a vitória.
O empreendedor é focado no reconhecimento, até aceita o dinheiro como
medalha, mas seu prazer é pela competição. O empreendedor é meio como
um atleta, é tolerante a falhas, mas é obcecado pela vitória.
Quando a rotina começa é hora de um empreendimento novo. Esse é o ser empreendedor.
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