Uma novidade em processos de
seleção de profissionais em grandes empresas é a etapa em que o candidato passa
por uma entrevista com um grupo de funcionários da companhia. Essa espécie de
banca com múltiplos avaliadores pode envolver o futuro chefe, gestores de
diferentes áreas e integrantes do RH, mas também futuros colegas de trabalho.
Normalmente, essa etapa tem por finalidade investigar a adequação da pessoa à equipe
e à empresa.
Competências técnicas, idiomas,
salário e outras questões formais ficam para ser conversadas em outras etapas.
Organizações como a cervejaria Ambev, a distribuidora de gás Supergasbras, a
operadora de telefonia Tim e a distribuidora de combustíveis Shell adotam esse
processo. Outra característica dessa etapa é a flexibilização de regras e
processos de entrevista. Primeiro, porque a coisa é feita por um grupo não
especializado em seleção, que tende a conduzir a avaliação de maneira informal
e até desorganizada.
Segundo, porque a conversa
normalmente será conduzida para uma discussão sobre atitude, em que vale mais o
profissional ser sincero do que decorar previamente respostas perfeitas. “As
entrevistas têm incluído mais avaliadores para que se possa estabelecer um
consenso e minimizar eventuais preferências pessoais”, diz Claudia Klein, sócia
da consultoria carioca Argumentar e ex-diretora de RH da L’Oréal.
Para ter um bom desempenho nesse
tipo de avaliação, uma recomendação é repassar o histórico profissional
atentamente antes da entrevista. isso ajudará o candidato a falar com maior
segurança sobre sua experiência, o que causará efeito positivo no grupo. “Os
avaliadores são integrantes da equipe, conhecem a rotina do trabalho e sabem onde
o calo aperta”, diz Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de
Recursos Humanos (ABRH).
Nesse tipo de processo, é
importante resistir à tentação de dourar a pílula: inventar um feito ou uma
habilidade, ou mesmo aumentá-los. Afinal, é pouco provável que o candidato
consiga sustentar uma mentira sendo observado e questionado por muitas pessoas.
alguém vai perceber uma contradição. Vale também ser coerente. “Não adianta o
candidato declarar-se capaz de enfrentar situações de extrema pressão, por
exemplo, se demonstrar nervosismo durante a entrevista”, diz Lucia Cipriano,
gerente corporativa de RH da supergasbras.
Camila müller Zambeli, de 28
anos, analista de recursos humanos da supergasbras, contratada há poucos meses
após uma sabatina, acredita que a participação de colegas na seleção facilitou
a adaptação e o relacionamento com o time. “a receptividade é muito melhor,
afinal eles ajudaram a me escolher”, diz Camila.
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