terça-feira, 20 de março de 2012

Pessoas ficam mais criativas em ambientes criativos

Nosso país acredita em contos de fada. Como crianças, os administradores privados e públicos insistem em soluções a curto prazo. Fomos educados ouvindo e assistindo histórias nas quais as tragédias acontecem no curto prólogo e as soluções heróicas resolvem-se antes do epílogo no qual os protagonistas terminam felizes para sempre. Quando adultos, com a responsabilidade de gerenciar processos, continuamos a pensar que causa e efeito estão próximos, como em um conto de fadas. No mundo real, a saga do herói só se realiza para muito, muito poucos.

A vida contemporânea é extremamente mais complexa do que as histórias infantis que continuamos a repetir para nossos filhos. As planejadas linhas de produção da era industrial não resolvem os problemas complexos da era do conhecimento. As recentes certezas estão evaporando cada vez mais rapidamente. Os complexos algoritmos também não resolvem a profunda desordem da economia mundial. A única certeza é a imprevisibilidade acelerada das mudanças. Nas salas da Microsoft, existem placas com um chamado: "Adote a mudança". Ou nos preparamos para uma adaptação rápida às transformações, ou ficaremos parados à beira desse tempo volátil.

Uma diferença entre o planejamento brasileiro e o do chinês é o pragmatismo de entender o tempo. Estamos construindo projetos para criar empregos agora, que repetem o que já existe. Os chineses estão educando multidões para que elas construam um futuro que não existe ainda. Eles aprendem e ensinam ao mesmo tempo. Gustavo Ioschpe acredita que o sistema educacional chinês é o melhor do mundo: pragmático, meritocrático, coletivo, gradual e aberto ao exterior(1). O que Ioschpe chama de gradualismo chinês é o processo de prototipagem do método científico. Testam-se as melhores ideias. O que dá certo em pequena escala é compartilhado por outras províncias que adotam a mudança. Até que possa entrar dentro do organismo nacional chinês.

Como professor de design thinking, uma disciplina que está sendo testada na ESPM-RJ desde 2010, fico entusiasmado quando vejo que as características do design thinking estão sendo aplicadas em outros lugares. Design thinking é uma metodologia pragmática e colaborativa, completamente aberta às novas ideias e experiências, mas principalmente baseada em prototipagens rápidas e iterativas. 

A pesquisadora Michele Rusk(2) identificou algumas características pessoais comuns atribuídas aos design thinkers, tais como ampla curiosidade, habilidade para empregar conhecimento tático, habilidade para desenvolver percepção consciente e lampejo estimulante, habilidade para entender problemas complexos e identificar as causas mais profundas dos problemas, habilidade para antecipar e visualizar cenários, habilidade para inventar ideias e sínteses e habilidade para solucionar problemas. Rusk diz que criatividade é o pensar, que inovação e design são o fazer. Os design thinkers teriam a habilidade crucial de trocar o estilo de pensamento divergente para convergente e, quando necessário, suspender qualquer julgamento que atrapalhe o processo.

FONTE E MATERIA COMPLETA:

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