Nosso país acredita em contos de fada. Como crianças, os administradores
privados e públicos insistem em soluções a curto prazo. Fomos educados
ouvindo e assistindo histórias nas quais as tragédias acontecem no curto
prólogo e as soluções heróicas resolvem-se antes do epílogo no qual os
protagonistas terminam felizes para sempre. Quando adultos, com a
responsabilidade de gerenciar processos, continuamos a pensar que causa e
efeito estão próximos, como em um conto de fadas. No mundo real, a saga
do herói só se realiza para muito, muito poucos.
A vida contemporânea é extremamente mais complexa do que as histórias infantis que continuamos a repetir para nossos filhos. As planejadas linhas de produção da era industrial não resolvem os problemas complexos da era do conhecimento. As recentes certezas estão evaporando cada vez mais rapidamente. Os complexos algoritmos também não resolvem a profunda desordem da economia mundial. A única certeza é a imprevisibilidade acelerada das mudanças. Nas salas da Microsoft, existem placas com um chamado: "Adote a mudança". Ou nos preparamos para uma adaptação rápida às transformações, ou ficaremos parados à beira desse tempo volátil.
Uma diferença entre o planejamento brasileiro e o do chinês é o
pragmatismo de entender o tempo. Estamos construindo projetos para criar
empregos agora, que repetem o que já existe. Os chineses estão educando
multidões para que elas construam um futuro que não existe ainda. Eles
aprendem e ensinam ao mesmo tempo. Gustavo Ioschpe acredita que o
sistema educacional chinês é o melhor do mundo: pragmático,
meritocrático, coletivo, gradual e aberto ao exterior(1). O que Ioschpe
chama de gradualismo chinês é o processo de prototipagem do método
científico. Testam-se as melhores ideias. O que dá certo em pequena
escala é compartilhado por outras províncias que adotam a mudança. Até
que possa entrar dentro do organismo nacional chinês.
Como professor de design thinking, uma disciplina que está sendo
testada na ESPM-RJ desde 2010, fico entusiasmado quando vejo que as
características do design thinking estão sendo aplicadas em outros
lugares. Design thinking é uma metodologia pragmática e colaborativa,
completamente aberta às novas ideias e experiências, mas principalmente
baseada em prototipagens rápidas e iterativas.
A pesquisadora Michele
Rusk(2) identificou algumas características pessoais comuns atribuídas
aos design thinkers, tais como ampla curiosidade, habilidade para
empregar conhecimento tático, habilidade para desenvolver percepção
consciente e lampejo estimulante, habilidade para entender problemas
complexos e identificar as causas mais profundas dos problemas,
habilidade para antecipar e visualizar cenários, habilidade para
inventar ideias e sínteses e habilidade para solucionar problemas. Rusk
diz que criatividade é o pensar, que inovação e design são o fazer. Os
design thinkers teriam a habilidade crucial de trocar o estilo de
pensamento divergente para convergente e, quando necessário, suspender
qualquer julgamento que atrapalhe o processo.
FONTE E MATERIA COMPLETA:

Nenhum comentário:
Postar um comentário