Não parece, mas os homens e mulheres das fotos ao lado estão
no seu ambiente profissional. Eles conseguiram transformar suas casas em
empresas competitivas e lucrativas sem prejuízo da priva-cidade. Escolha atual
de 4,5 milhões de brasileiros, o negócio home-based, se conduzido do jeito
certo, pode ser o estágio inicial para a construção de uma trajetória sem
fronteiras.
O empresário brasileiro Lito Rodriguez, fundador da DryWash,
especializada em limpeza de veículos sem água, deu a partida no negócio
misturando produtos na batedeira de sua cozinha, em 1994. Ho-je, a empresa tem
um faturamento estimado de R$ 40 milhões ao ano. Henrique Lupo fabricou suas
primeiras meias masculinas no banheiro de sua casa, em Araraquara, no interior
de São Paulo. Pas-sados 91 anos, a rede de franquias Lupo conta com 210
unidades em todo o Brasil e fechou 2011 com receita de R$ 626 milhões. Nos
Estados Unidos, contam-se às dezenas os chamados negócios nascidos na garagem,
como é o caso da Apple de Steve Jobs, da Microsoft de Bill Gates, da Dell de
Michael Dell, da Amazon de Jeff Bezos e de tantas outras companhias de sucesso
no Brasil e no mundo. Todos eles começaram em casa e nunca deixaram que a falta
de um espaço físico confinas-se seus sonhos de empreender.
Fazer um negócio vingar sem contar com as condições ideais
de uma "sede própria" - termo usado como símbolo de status na fachada
de tantos estabelecimentos comerciais do Brasil -, no entanto, não é para
qualquer um. Na opinião do professor Tales Andreassi, coordenador do Centro de
Em-preendedorismo da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse empreendedor deve ser
extremamente disciplinado, autoconfiante e organizado. "É ele mesmo quem
determina seus horários e tarefas, sem ninguém para estimulá-lo ou cobrá-lo.
Por isso, ele deve ser capaz de se automotivar e jamais ficar abatido por não
ter com quem conversar, trocar ideias ou impressões. E isso não é nada
fácil", diz.
Para o diretor de comunicação da Endeavor, Juliano Seabra,
um traço essencial na personalidade desse empreendedor é a inquietação. Ao
contrário do que prega o senso comum, explica ele, traba-lhar em casa não tem
nada a ver com acomodação. "Para que um negócio iniciado em casa
real-mente funcione, é preciso ter vontade de conquistar o mercado e de gerar
empregos", diz Seabra. Desenhar uma estratégia competitiva clara,
assinalam os especialistas, é de extrema importância. "Empreendedorismo
doméstico não tem nada a ver com amadorismo", diz Seabra. Para tudo dar
certo, o segredo está em conduzir essa fase inicial sem perder de vista o
crescimento. "Gerir uma empresa significa basicamente administrar seu
crescimento", resume Afonso Cozzi, da Fundação Dom Cabral (FDC).
"Quem trabalha em casa precisa ter consciência de que esse modelo
apresenta um teto."
É preciso estar atento para sair na hora certa. O sinal mais
evidente: a casa não comporta mais a estrutura necessária para o funcionamento
do negócio. É preciso produzir mais, contratar mais, ven-der mais, e nada disso
será possível sem que se ultrapassem os atuais limites físicos da empresa.
Outra pista de que está na hora de mudar é o desconforto de clientes e
fornecedores. "Eles demons-tram incômodo com a falta de uma sede,
desaprovam a estrutura do negócio e chegam a insinuar que o empreendedor não
quer crescer", diz Andreassi. Há ainda a insatisfação dos familiares, que
veem seu espaço doméstico ser invadido pela expansão do negócio. Para que a
empresa encontre no home-office o ambiente propício para crescer, serão
necessários também alguns cuidados, que vão da escolha do modelo adequado até a
atenção com a legislação vigente no país.
15 dicas para fazer seu negócio home-based funcionar
Veja como montar um ambiente profissional e funcional para a
sua empresa
Por Mauro Silveira
1. Antes de abrir um negócio em casa, avalie se você tem os
requisitos necessários para esse tipo de empreendimento. Abrir uma empresa em
casa requer disciplina, planejamento, iniciativa, independência profissional,
persistência e disposição para enfrentar horas de solidão.
2. Na hora de escolher o melhor cômodo para instalar o
escritório, prefira um que esteja o mais separado possível da agitação da casa
– de preferência, com uma entrada independente.
3. Se você tem funcionários trabalhando em casa, torna-se
ainda mais importante ter uma entrada independente para sua equipe. É a maneira
mais adequada para preservar a privacidade e a segurança da família.
4. Concentre suas atividades num único espaço, não invadindo
os demais cômodos da casa. Prepare esse local (quarto, edícula, garagem) para
sediar o novo negócio, usando os mesmos tipos de móveis e equipamentos que
adotaria num ponto comercial.
5. O planejamento do escritório pode e deve incluir a adoção
de tratamento acústico nas paredes, para que sons de atividades domésticas
(como crianças, televisão e aparelhos de som) não interfiram em seus
telefonemas.
6. Ao montar seu home-office, lembre-se de como você gosta
de trabalhar normalmente. Como deve ser a mesa ideal? Você costuma guardar seus
arquivos em papel, no hard-drive ou na sua maleta? Gosta de ter post-its
colados no monitor ou prefere lembretes eletrônicos? Tudo isso deve ser levado
em conta no seu planejamento.
7. Preste atenção nas posições da sua cadeira, da sua mesa,
da tela de computador e do teclado. Siga as regras da ergonomia, para não ter
problemas de saúde no futuro. Invista em cadeiras ajustáveis, com apoio para
braços.
8. Não use seu endereço residencial para cartões de visitas
e correspondências comerciais. Melhor ter uma caixa postal ou usar os serviços
de um escritório virtual.
9. Atenda ao telefone de maneira profissional. Parece óbvio,
mas o fato de estar em casa faz com que alguns empreendedores respondam apenas
“Alô”, em vez de usar o nome da empresa.
10. Não misture a conta-corrente pessoal com a de sua
empresa. Controle as finanças com rigor.
11. Estabeleça horários para o começo e o fim do expediente
– e também para o almoço. Para isso, use como base os horários em que seus
clientes e fornecedores trabalham, e não as suas preferências pessoais. Não
adianta começar a trabalhar às seis da manhã se os seus clientes costumam fazer
reuniões no final da tarde, por exemplo.
12. Organize e administre o seu tempo com parcimônia. Cumpra
prazos e compromissos com o cliente. Não é porque você está numa garagem que
não precisa ser pontual, ter bom preço e produtos de qualidade.
13. Cuide da aparência. Vista-se todos os dias como se fosse
ao escritório ou como se tivesse uma reunião marcada com investidores. A
aparência contribui para transmitir uma imagem de seriedade e profissionalismo
para clientes, fornecedores e empregados.
14. Fale com alguém fora do escritório pelo menos uma vez
por dia. Passar o dia inteiro em silêncio, comunicando-se apenas por e-mail ou
torpedos, pode provocar estresse. Planeje almoços, vá a palestras e seminários,
visite clientes e fornecedores com frequência.
15. Para quem trabalha em um escritório, é normal criar
pequenas distrações ao longo do dia – um almoço em um restaurante gostoso, uma
compra no final do expediente – para aliviar a tensão. O fato de trabalhar em
casa não significa que você deve trabalhar oito horas por dia sem interrupção.
Faça pausas curtas para algumas atividades relaxantes, como regar as plantas ou
ler o jornal do dia. Mas resista à tentação de esticar esses intervalos, o que
pode interferir na produtividade.
Fontes:



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