Sabemos que a comunicação é importante, sempre foi e sempre
será. É através da comunicação verbal que mantemos um número maior de contatos
diários: palestras, cursos, reuniões, recados, bate-papo, ordens etc.
Muitas pessoas são peritas em seus ramos de trabalho,
algumas possuem até especializações, mestrado e doutorado. Mas quando
necessitam expor seus conhecimentos, agem com tanta timidez e insegurança, que
o público ouvinte fica literalmente decepcionado.
Para alguns até pode ser fácil falar em público, mas para a
grande maioria não é. Muitos se comunicam razoavelmente bem entre um e dois
companheiros, mas quando é necessário falar oficialmente, com seriedade e em
pé, para um público maior, seja ele conhecido ou não, se complica.
Vocês sabiam que tem gente que tem mais medo de falar em
público do que de morrer?. É verdade: uma pesquisa feita pelo Jornal Sunday
Times, chegou a esta espantosa conclusão. Segundo os dados do estudo, 41% dos
entrevistados disseram ter horror de fazer um discurso. Outra pesquisa feita
com 10.000 australianos mostrou que um terço deles preferiria morrer a ter de
abrir a boca diante de uma platéia.
O problema é que esse fantasma ronda a vida de todo mundo, e
mais dia, menos dia, também vai bater à sua porta. Você vai ter de dar uma
aula, fazer uma palestra ou simplesmente apresentar os resultados de seu
departamento na reunião da diretoria. Seja lá qual for a situação, terá de
falar em público.
A oratória não se resume em falar, oratória é comunicação, e
para comunicar há uma necessidade de um conjunto de elementos: a forma como a
pessoa chega ao recinto, o jeito como se acomoda em uma cadeira, a maneira que
caminha para a tribuna, a postura que tem em relação aos demais participantes e
a sua apresentação pessoal.
A roupa é a embalagem da pessoa, o orador não pode descuidar
desse aspecto. Sua apresentação pessoal terá reflexo na receptividade e na
avaliação da platéia. Este é ponto que trataremos hoje neste artigo.
A apresentação pessoal é o primeiro elemento que devemos
observar, numa palestra, por exemplo. O palestrante deverá vestir-se bem, com
elegância (já tratamos desse assunto anteriormente) e de acordo com o ambiente
em que irá apresentar-se. Ou seja, é preciso compatibilizar a roupa com o
local, o público e a oportunidade.
Mesmo fora do tribunal, o advogado deve vestir-se e
apresentar-se de forma ajustada ao ambiente, mas sem perder a dignidade do seu
ofício. A mulher, igualmente, deve ter cuidados. As pernas e o decote não podem
ser atrativos. Precisa vestir-se com elegância e discrição, para sobressair a
capacidade da oratória.
O orador que for para a tribuna com o paletó terá que
suportar até o final. Tirar o paletó, desabotoá-lo, arregaçar as mangas ou
soltar a gravata durante um discurso são procedimentos deselegantes. Ele deve
estar sempre fechado, apenas o último botão de baixo fica livre. Não se usa
paletó aberto em situação formal. E o discurso é a palavra posta em
formalidade.
A gravata deve combinar, em cores, em padrão, com a camisa e
o paletó.Gravatas de cores escandalosas, com gravuras dos personagens de
desenhos animados também não podem fazer parte do estilo de um profissional do
Direito. O laço precisa ser bem formatado, ajustado e no lugar certo. Nunca, gravatas
com o nó solto, passa uma aparência de bêbado, de boêmio. O comprimento certo
da gravata é na altura do cinto. Nem mais, nem menos.
Os sapatos são referenciais valiosos da personalidade da
pessoa. Há mulheres que, ao conhecerem um homem, primeiro olham os sapatos.
Elas pensam: se ele cuida dos sapatos, saberá cuidar da amada. Parece que
ninguém vê, mas, ao contrário, os sapatos estão sendo observados por muitos.
Por isso, mantenha-os sempre amarrados (se de cadarço) e limpos.
Para apresentar-se bem não se esqueça também das unhas bem
aparadas (para homens) e cabelos alinhados (para homens e mulheres).
O orador não brilha apenas no púlpito. Antes, ele já estará
a despertar atenção. Será observado por muitos nos momentos que antecedem o
evento. Logo, sua postura, a sua forma de andar, os seus trejeitos, tudo será
analizado. E, dependendo do que as pessoas perceberem, haverá uma prévia
aceitação ou uma reação adversa mesmo antes de pronunciar a primeira palavra.
Concluindo, seja fino, educado e elegante. São valores que
estão ficando esquecidos e as pessoas valorizam estes aspectos. Na próxima
semana veremos dez dicas de Reinaldo Polito para falar em público.
Silvânia Melo (Bibliotecária - Tribunal de Justiça do TO)

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