sexta-feira, 9 de março de 2012

Oratória - Apresentação pessoal


Sabemos que a comunicação é importante, sempre foi e sempre será. É através da comunicação verbal que mantemos um número maior de contatos diários: palestras, cursos, reuniões, recados, bate-papo, ordens etc.

Muitas pessoas são peritas em seus ramos de trabalho, algumas possuem até especializações, mestrado e doutorado. Mas quando necessitam expor seus conhecimentos, agem com tanta timidez e insegurança, que o público ouvinte fica literalmente decepcionado.

Para alguns até pode ser fácil falar em público, mas para a grande maioria não é. Muitos se comunicam razoavelmente bem entre um e dois companheiros, mas quando é necessário falar oficialmente, com seriedade e em pé, para um público maior, seja ele conhecido ou não, se complica.

Vocês sabiam que tem gente que tem mais medo de falar em público do que de morrer?. É verdade: uma pesquisa feita pelo Jornal Sunday Times, chegou a esta espantosa conclusão. Segundo os dados do estudo, 41% dos entrevistados disseram ter horror de fazer um discurso. Outra pesquisa feita com 10.000 australianos mostrou que um terço deles preferiria morrer a ter de abrir a boca diante de uma platéia.

O problema é que esse fantasma ronda a vida de todo mundo, e mais dia, menos dia, também vai bater à sua porta. Você vai ter de dar uma aula, fazer uma palestra ou simplesmente apresentar os resultados de seu departamento na reunião da diretoria. Seja lá qual for a situação, terá de falar em público.

A oratória não se resume em falar, oratória é comunicação, e para comunicar há uma necessidade de um conjunto de elementos: a forma como a pessoa chega ao recinto, o jeito como se acomoda em uma cadeira, a maneira que caminha para a tribuna, a postura que tem em relação aos demais participantes e a sua apresentação pessoal.

A roupa é a embalagem da pessoa, o orador não pode descuidar desse aspecto. Sua apresentação pessoal terá reflexo na receptividade e na avaliação da platéia. Este é ponto que trataremos hoje neste artigo.

A apresentação pessoal é o primeiro elemento que devemos observar, numa palestra, por exemplo. O palestrante deverá vestir-se bem, com elegância (já tratamos desse assunto anteriormente) e de acordo com o ambiente em que irá apresentar-se. Ou seja, é preciso compatibilizar a roupa com o local, o público e a oportunidade.

Mesmo fora do tribunal, o advogado deve vestir-se e apresentar-se de forma ajustada ao ambiente, mas sem perder a dignidade do seu ofício. A mulher, igualmente, deve ter cuidados. As pernas e o decote não podem ser atrativos. Precisa vestir-se com elegância e discrição, para sobressair a capacidade da oratória.

O orador que for para a tribuna com o paletó terá que suportar até o final. Tirar o paletó, desabotoá-lo, arregaçar as mangas ou soltar a gravata durante um discurso são procedimentos deselegantes. Ele deve estar sempre fechado, apenas o último botão de baixo fica livre. Não se usa paletó aberto em situação formal. E o discurso é a palavra posta em formalidade.

A gravata deve combinar, em cores, em padrão, com a camisa e o paletó.Gravatas de cores escandalosas, com gravuras dos personagens de desenhos animados também não podem fazer parte do estilo de um profissional do Direito. O laço precisa ser bem formatado, ajustado e no lugar certo. Nunca, gravatas com o nó solto, passa uma aparência de bêbado, de boêmio. O comprimento certo da gravata é na altura do cinto. Nem mais, nem menos.

Os sapatos são referenciais valiosos da personalidade da pessoa. Há mulheres que, ao conhecerem um homem, primeiro olham os sapatos. Elas pensam: se ele cuida dos sapatos, saberá cuidar da amada. Parece que ninguém vê, mas, ao contrário, os sapatos estão sendo observados por muitos. Por isso, mantenha-os sempre amarrados (se de cadarço) e limpos.

Para apresentar-se bem não se esqueça também das unhas bem aparadas (para homens) e cabelos alinhados (para homens e mulheres).

O orador não brilha apenas no púlpito. Antes, ele já estará a despertar atenção. Será observado por muitos nos momentos que antecedem o evento. Logo, sua postura, a sua forma de andar, os seus trejeitos, tudo será analizado. E, dependendo do que as pessoas perceberem, haverá uma prévia aceitação ou uma reação adversa mesmo antes de pronunciar a primeira palavra.

Concluindo, seja fino, educado e elegante. São valores que estão ficando esquecidos e as pessoas valorizam estes aspectos. Na próxima semana veremos dez dicas de Reinaldo Polito para falar em público.

Silvânia Melo (Bibliotecária - Tribunal de Justiça do TO)

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